Arriet Chahin
1942, São Paulo

Novidades que não inovam, rotina que leva à repetição, truques que agradam o mercado desavisado não constituem o repertório de Arriet.
Ao longo de quarenta anos de trabalho, a artista adquiriu o domínio dos meios, desenvolveu critérios que eliminam as facilidades e tomou o caminho dos desafios diários. Sua iniciação à gravura se deu no Estúdio de Gravura, sob orientação de Lívio Abramo, cujo rigor e exigência são famosos, assim como a sua dedicação àqueles que valiam a pena.
Daí em diante, Arriet sucumbiu à paixão pela gravura. Desvendou seus mistérios, mergulhou no ofício, apurou sua linguagem gráfica e consolidou seu pensamento visual. O preconceito desfavorável que existe no Brasil em relação à gravura não afetou seu entusiasmo, mesmo porque ela sabia e sabe que o padrão de excelência da gravura brasileira só aqui, no Brasil, não tem o devido reconhecimento. Para que essa tradição da boa gravura não perdesse, Arriet resolveu passar para diante seu conhecimento acumulado, ensinar, forma genorosa de doação, não muito comum. Porém a paixão pelo papel não poderia ancorar a artista em uma única modalidade de expressão.
O impulso de ampliar suas possibilidades de criação, sua inquietação, levou-a ao universo da cor na pintura. É preciso arriscar, propor novos desafios, acertar, errar, aprender, este parece ser o seu lema. A cada exposição, Arriet nos revela novos recortes do seu percurso artístico.
Nas gravuras ora apresentadas, a linha ganha importância na formação dos rítmos e os planos se ampliam em profundidade, criando ambivalências óticas, ou seja, fundo e frente se movimentam, eu papel perde a qualidade de ser apenas suporte, ganhando participação na organização do espaço, do cheio e do vazio, atuando na construção da imagem. É preciso um olhar próximo para captar as sutilezas recônditas.
As pinturas apresentadas não criam incompatibilidade com o conjunto gráfico. As raízes são as mesmas e, novamente é necessária uma aproximação para que se perceba a utilização de papéis artesanais na feitura da pintura. Não sabemos se Arriet é que persegue o papel ou vice e versa. A introdução do papel se dá para a obtenção de transparências e velaturas, ao mesmo tempo que os veios originais do papel provocam relevos discretos, criando uma matéria sobre a qual a cor se apóia.
Arriet, ao apresentar este conjunto, reafirma seus desígnios artísticos.

Texto de Renina Katz, outubro de 2002, por ocasião da exposição individual “Contraponto”.

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